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Palco Invertido

 

 PALCO INVERTIDO

DOCUMENTÁRIO | ANGOLA | 2018 | 52 MN

REALIZADORA  Kamy Lara | PRODUTORA  Paula Agostinho

LOGLINE

"Palco Invertido" acompanha o processo de montagem do mais recente espectáculo da única Companhia de Dança Contemporânea de Angola. Durante a criação da peça "(Des)construção", os sete bailarinos são levados a viajar sobre um conjunto de danças tradicionais de Angola e a transforma-las, dando-lhes novos significados.  

SINOPSE

Palco Invertido” vai acompanhar os sete bailarinos da única Companhia de Dança Contemporânea de Angola durante o processo criativo da construção do seu último trabalho. Ao longo dos seus 25 anos de carreira, a Companhia venceu inúmeros obstáculos para manter a sua actividade, procurando novas formas de trabalho e de sustentabilidade da sua existência. Tem-se comprometido a revitalizar a cultura de raíz tradicional e a repor o profissionalismo na dança. Através de um profundo trabalho de investigação e reflexão, provoca novos olhares sobre aquilo que pode ser uma proposta para a dança contemporânea angolana. 

O documentário observa os bastidores do intenso trabalho que ocorre durante o processo de criação e aprendizagem deste novo espetáculo - “(Des)Construção”. Mostra como acontece a transformação de uma ideia em movimentos de dança e todo trabalho para que essa coreografia chegue ao palco.

Ao longo de quatro meses, os sete bailarinos da companhia são levados a viajar sobre um conjunto de danças tradicionais (e respectivos contextos) representativas de várias regiões de Angola. Porém, esta peça pretende contrariar a repetição e a cristalização de uma tradição passada, procurando ao invés disso propor uma re-interpretação livre mas respeitosa desta herança cultural.  

Com “Palco Invertido” pretendemos - para além de observar o mundo de criação por detrás da cortina - proporcionar uma plataforma de reflexão sobre a relação entre o património cultural angolano e o nosso quotidiano. Queremos encontrar as nossas próprias interpretações e criar um novo “palco” cinematográfico e poético para a obra e personagens que surgem diante de nós. 

 
 
 
 
 
 
KAMY LARA  REALIZADORA

KAMY LARA REALIZADORA

PAULA AGOSTINHO |  PRODUTORA

PAULA AGOSTINHO | PRODUTORA

 
 
 
 

Nota da Realizadora

Há alguns anos que sigo o trabalho da Companhia, cheguei até a colaborar com eles em alguns espetáculos, produzindo os vídeos. Sigo-os, não só pela profunda admiração que tenho pela persistência deste colectivo de se manter activo e, ano após ano, nos brindar com um novo espetáculo, apesar de todas as dificuldades que têm enfrentando. Sigo-os sobretudo pelo tipo de trabalho que levam ao palco, sempre crítico, actual e comprometido com a reposição do profissionalismo na dança, provocando novos olhares sobre aquilo que pode ser uma proposta para a dança contemporânea angolana, através de um profundo trabalho de investigação e reflexão.

Em Outubro de 2016, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola estreava em Luanda o seu último espetáculo “Ceci n’est pas une porte”, coreografado pela Ana Clara Guerra Marques e o Nuno Guimarães. Foi no final daquela hora de espetáculo que se implantou na minha cabeça a ideia para este documentário. Uma profunda curiosidade tomou conta de mim: que caminho percorriam aqueles sete bailarinos até chegarem àquele instante em cima do palco?

Foi assim que no início de 2017 me propus a acompanhar o trabalho destes bailarinos durante a construção do mais recente espectáculo da CDC, coreografado desta vez pela Mónica Anapaz. Durante 4 meses, segui o intenso trabalho de montagem deste espetáculo, desde o surgimento da ideia, passando pela sua transformação em movimentos de dança, até a sua estreia em Junho de 2017. 

Durante esse processo os bailarinos foram levados a viajar sobre um conjunto de danças tradicionais de Angola e, dia após dia, a desconstruí-las dos seus significados “originais” para dar-lhes novas interpretações.

Com este documentário, para além de querer matar a curiosidade sobre a magia de se construir um espetáculo - que acredito não ser apenas minha -, pretendo oferecer uma plataforma de reflexão sobre a ideia da cristalização das nossas tradições, questionado o equilíbrio entre a importância de preservamos uma cultura herdada que é nossa e que faz parte do que somos enquanto povo, e a inevitável transformação, adaptação, degradação, re-interpretação dessa mesma cultura.

Quero também que a peça influencie a nossa própria linguagem estética. Todas as escolhas técnicas de filmagem serão estudadas e conscientes, de forma que o documentário seja um prolongamento do que é construído durante os ensaios e na peça final em si mesma. O documentário será também uma peça de independência artística, com a sua própria personalidade cinematográfica e reflexiva, explorando a fronteira da sua função observadora.


MAKING OF

 
 
 

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